SAÍDAS PROFISSIONAIS

    Saídas profissionais dos licenciados (mercado de trabalho)
    Os licenciados em Tecnologias e Sistemas de Informação (TSI) estão aptos a iniciar a profissão de engenharia de sistemas de informação, em qualquer organização, independentemente da sua dimensão ou ramo de actividade. As tecnologias da informação são hoje em dia uma inevitabilidade nas organizações. Assim, são também algo cuja adopção e utilização carece de atenção por parte da gestão constituindo-se portanto como uma faceta organizacional que é objecto de atenção e de gestão. Os licenciados em TSI integram-se pois naturalmente na função sistemas de informação das organizações, independentemente do grau de formalidade com que tal função é assumida nas organizações.

    Constituem, assim, possíveis saídas profissionais para os licenciados em TSI:

    • empresas de grande dimensão, onde a função Sistemas de Informação (SI) está bem identificada e formalizada e depende tipicamente de um administrador ao mais alto nível da cadeia de comando da organização (e.g., Chief Information Officer - CIO); o profissional TSI integrará a função SI e começará por assumir o desempenho de actividades e responsabilidades compatíveis com a sua formação, o seu perfil e a sua experiência profissional;

    • empresas de pequena dimensão onde a função SI não é necessariamente autónoma, sendo as responsabilidades correspondentes assumidas por elementos da administração ou direcção em combinação com outras responsabilidades (e.g., Financeira, Produção); nestas organizações o licenciado TSI constitui-se como um elemento particularmente valioso pois não é provável que existam outros profissionais com tão boa preparação e sensibilização para a problemática da adopção e utilização das tecnologias da informação;

    • empresas de consultoria, começando o licenciado por integrar equipas de projecto onde desempenha actividades e assume responsabilidades compatíveis com a sua formação, o seu perfil e a sua experiência profissional;

    • empresas de desenvolvimento de software, onde o licenciado TSI pode assumir primordialmente actividades relacionadas com a interacção com os clientes, tendo em vista a compreensão do problema organizacional e a definição de requisitos para as aplicações informáticas a desenvolver.

     

    Para alem destas saídas profissionais directamente relacionadas com a formação técnico-científica proporcionada pela licenciatura em TSI, há um sem número de outras oportunidades onde as competências desenvolvidas no curso (e.g., capacidade de inquérito, raciocínio sistémico, autonomia, reflexão, liderança, comunicação) podem ser utilizadas. Por outro lado, as competências e capacidades do licenciado em TSI poderão ainda ser canalizadas para oportunidades de criação de novas empresas.

    Evolução dos estudos

    Considerando a complexidade dos objectos de intervenção do profissional de sistemas de informação e a natural complementaridade da engenharia de sistemas de informação com outras actividades de intervenção organizacional (engenharia do trabalho, dos processos e das organizações e gestão de sistemas de informação), é expectável que a maioria dos licenciados em TSI queiram, de imediato ou após uma breve experiência profissional, prosseguir os seus estudos superiores com a frequência de um curso de 2º ciclo. As possibilidades de evolução de estudos a nível de 2º ciclo são extremamente variadas:


    Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação
    Uma primeira possibilidade de formação de 2º ciclo que se oferece aos licenciados TSI é a da continuação da formação enquanto profissional da área dos sistemas de informação. Tal formação será oferecida na Universidade do Minho com um curso de Mestrado orientado à formação em engenharia e gestão de sistemas de informação. Tal formação permitirá ao licenciado em TSI potenciar o investimento já efectuado em formação em engenharia de sistemas de informação evoluindo para questões de engenharia de processos organizacionais e gestão de sistemas de informação.

    Engenharia de Software
    Para os licenciados em TSI com maior vocação para o desenvolvimento de software aplicacional ou de sistemas, um outro cenário possível corresponde a um aprofundamento da formação tecnológica e de engenharia de software.

    Ensino
    A formação em tecnologias da informação obtida pelo licenciado em TSI abre-lhe também a perspectiva de seguir uma carreira de ensino a nível do ensino básico e secundário. Para tal o licenciado TSI poderá optar por frequentar um curso de 2º ciclo orientado à formação de professores.

    Gestão
    Os licenciados em TSI com maior vocação para a área da gestão poderão optar por formação de 2º ciclo que lhes permita aprofundar e/ou alargar a formação de base que já possuem nesta área, frequentando cursos de mestrado oferecidos em escolas de Economia, gestão e negócios.


    Para além da formação a nível de 2º ciclo visando a obtenção de um grau académico, será importante considerar também a formação de pós-graduação que permitirá a manutenção e desenvolvimento de competências e capacidades numa lógica de aprendizagem ao longo da vida. Esta faceta da vida profissional tem vindo a ser enfatizada como inevitável e extremamente importante no mundo actual.

    Por outro lado, prevê-se que venha a aumentar o número de profissionais que decidem obter um grau académico correspondente ao 3º ciclo de formação do ensino superior – o doutoramento. A obtenção de doutoramento poderá ser justificada por várias motivações:

    • decisão em seguir uma carreira académica;

    • para obtenção de competências e capacidades necessárias ao exercício de funções de investigação e desenvolvimento nas empresas;

    • como corolário de uma carreira profissional onde o doutoramento surge como a oportunidade de partilhar com a comunidade profissional eventuais inovações e contributos com adequada sustentação científica.

     






    Enquadramento do perfil profissional

    A engenharia e gestão de sistemas de informação pode ser considerada uma profissão emergente e resultante da combinação e evolução de outros perfis profissionais mais estabilizados, nomeadamente:

    • a engenharia informática orientada para o desenvolvimento de aplicações informáticas de suporte ao trabalho organizacional;
    • a gestão da informação e das tecnologias e dos sistemas de informação;
    • o design organizacional.

    Considerando a necessidade de combinação de competências das áreas das tecnologias da informação e da organização e gestão, não é de estranhar que a formação de profissionais dos sistemas de informação (com capacidades correspondentes às dos engenheiros e gestores de sistemas de informação ou um seu subconjunto) possa ser encontrada em instituições de ensino superior associadas a escolas de engenharia e tecnologia e também em escolas de gestão e de negócios. Tal acontece em vários países no mundo incluindo Portugal.

    Pelas mesmas razões, as actividades centrais ao engenheiro e gestor de sistemas de informação aparecem enquadradas em associações profissionais com origem, quer em profissões mais próximas da computação e das tecnologias da informação, quer profissões mais próximas da gestão. Exemplos de tais associações incluem: British Computer Society – BCS – no Reino Unido; Association for Information Technology Professionals – AITP (anteriormente Data Processing Management Association - DPMA) nos Estados Unidos da América; Association for Computing Machinery (ACM) nos Estados Unidos da América; Institute of Electrical and Electronic Engineers – Computer Society (IEEE).

    Em Portugal, a Ordem dos Engenheiros, no seu papel de enquadramento dos profissionais de engenharia, considera a existência de engenheiros cujo principal objecto de intervenção é as tecnologias da informação – o Colégio de Engenharia Informática. E entre os domínios de intervenção da Engenharia Informática considera os Sistemas de Informação Organizacionais.
    É nosso entendimento que o perfil profissional de engenharia e gestão de sistemas de informação corresponde ao perfil de um Engenheiro Informático, cujo domínio de intervenção é precisamente o dos sistemas de informação organizacionais. A inclusão do termo “gestor” na designação do perfil sugere o envolvimento destes profissionais em actividades que não são de projecto, exigindo um acompanhamento contínuo de determinados fenómenos. Tal componente é no entanto compatível com o perfil de engenharia, existindo paralelos noutras áreas (Engenharia e Gestão Industrial).

    A nível de associações de académicos e investigadores, a Association for Information Systems (AIS) é, sem sombra de dúvida, a associação mais relevante para o corpo de conhecimento central à profissão do engenheiro e gestor de sistemas de informação. Outras associações relevantes incluem: Academy for Information Systems – UKAIS no Reino Unido; INFORMS – Institute for Operations Research and the Management Sciences nos Estados Unidos da América, e particularmente a sua Information Systems Society; a Association Information et Management em França; a Associação Portuguesa de Sistemas de Informação (APSI) em Portugal.

    De um modo geral, todas as instituições acima referidas têm vindo a produzir contributos para a definição dos currículos adequados à formação superior de profissionais nas áreas dos sistemas de informação bem como nos procedimentos de acreditação dos correspondentes cursos.

    Áreas científicas e tecnológicas relevantes

    Os actos do engenheiro e gestor de sistemas de informação incidem principalmente sobre dois objectos: as organizações e as aplicações das tecnologias da informação.
    A natureza humana e social destes objectos exige que a formação destes profissionais inclua uma forte componente em ciências humanas (relacionadas sobretudo com os aspectos cognitivos do ser humano, com a linguagem e também com os comportamentos humanos) e em ciências sociais (com especial ênfase para os comportamentos organizacionais e para os fenómenos de comunicação).
    Por outro lado, a informação é um elemento central aos profissionais dos sistemas de informação. Este fenómeno imaterial, ainda não completamente percebido e explicado, tem características bem distintas dos fenómenos materiais que constituem o objecto de intervenção dos engenheiros tradicionais.

    Daqui resulta que o corpo de conhecimento relevante para o engenheiro e gestor de sistemas de informação inclui aspectos relevantes em ciências tais como: psicologia cognitiva; ciências da linguagem; ciências sociais e particularmente ciências da comunicação e sociologia; comportamento organizacional; cibernética e outras teorias da organização.

    A complexidade dos fenómenos em causa e a necessidade de abordagens abrangentes dos múltiplos factores relevantes para tais fenómenos tem levado à adopção de abordagens sistémicas para sustentar os raciocínios de conceptualização e de design inerentes às actividades do engenheiro e gestor de sistemas de informação. Assim, ciências dos sistemas e formas de raciocínio sistémico incluem também o corpo de conhecimento dos profissionais dos sistemas de informação.

    Acresce ainda a inevitabilidade da matemática enquanto linguagem rigorosa e com capacidade de representar e operar sobre modelos diversos.

    Na componente tecnológica, a ênfase vai para as tecnologias da informação e para a aplicação dos computadores e dispositivos associados na representação, memorização, processamento e comunicação de informação.

    Tendo em linha de conta a estrutura da Universidade do Minho, o corpo de conhecimento relevante para os profissionais de sistemas de informação irá ser distribuído pelas seguintes áreas técnico-científicas:

    Sistemas de Informação – designação aqui utilizada para referir um corpo de conhecimento que cobre os fenómenos relacionados com a adopção e utilização de tecnologias da informação nas organizações e na sociedade (este corpo de conhecimento é também reconhecido por outras designações, muitas vezes resultantes das designações utilizadas noutros países: information systems, management information systems; informatique de géstion);

    Ciências Económicas e Empresariais – corpo de conhecimento relacionado com os fenómenos dos mercados e das organizações, com os modos de estruturar as organizações e com as práticas relevantes nas actividades de gestão e intervenção organizacional;

    Tecnologias da Informação – corpo de conhecimento que abrange os mais diversos aspectos das tecnologias da informação: os sistemas de computação; os sistemas operativos e de redes de computadores; a computação; os métodos de programação e de síntese de aplicações informáticos; inteligência artificial; etc.);

    Matemática e Métodos Quantitativos – corpo de conhecimento que proporciona abordagens e métodos rigorosos aplicáveis nos raciocínios e abordagens quantitativas da engenharia e da gestão;

    A distribuição de unidades de crédito por área científica não deverá sofrer alteração significativa em relação à situação actualmente existente. Esta situação estava aliás em sintonia com as recomendações emitidas pelo Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (CNAVES) aquando da última avaliação da LIG.

    As áreas científicas acima referidas constituem áreas de interesse de um conjunto de departamentos já actualmente envolvidos na leccionação da LIG, nomeadamente: Departamento de Sistemas de Informação, Departamento de Gestão, Departamento de Matemática para a Ciência e Tecnologia, Departamento de Produção e Sistemas e Departamento de Economia.

    As designações utilizadas reflectem a perspectiva destes departamentos relativamente aos temas técnico-científicos do seu interesse e ao seu enquadramento num curso na área das tecnologias e sistemas de informação.